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| "Parada" de ônibus na Av. Prudente de Morais em Natal |
Essa é uma típica parada de ônibus em Natal: um poste (sim, só o poste, porque nem sempre tem a plaquinha indicando). Agora imagine você, meio-dia, sob um Sol de mais de 30ºC esperando um ônibus. É isso que os usuários do transporte público tem de enfrentar todos os dias na Capital do Sol.
Passei alguns dias no Paraná e pude ver de perto que é possível, sim, ter um transporte público de qualidade administrado pelo Município. Falo isso pois em Natal as linhas de ônibus são geridas por empresas privadas e, ainda assim, o transporte é (muito) precário.
Estive primeiramente em Maringá, cidade com uma população um pouco menor que a de Natal, porém com um transporte público eficiente, onde os ônibus tem hora certa para sair e chegar nos pontos de parada. Um sonho para quem às vezes passa horas esperando um ônibus em Natal, detalhe: sem saber se vai passar!
Depois passei alguns dias em Curitiba, cidade grande, com dois milhões de habitantes, porém que tem seu transporte público totalmente baseado em ônibus. Acho importante frisar isso, pois já havia ido ao Rio e São Paulo, e nelas os ônibus são apenas complementares no Transporte Público, visto que o metrô é o principal meio utilizado. Apesar disso, os ônibus de Curitiba foram pensados como uma espécie de "metrô de superfície" dividindo-se em linhas por cor: azul, amarela, laranja, verde, vermelha e cinza, além das linhas especiais.
A tarifa na capital paranaense é um pouco mais cara que a de Natal, custa R$2,70, porém as estações tubo e os terminais de integração permitem que os usuários se desloquem para os diversos pontos da cidade pagando apenas uma passagem. Além disso, no domingo a tarifa é reduzida o dia inteiro (R$1,50 atualmente), um incentivo para as pessoas saírem de casa e curtirem a cidade no fim de semana.
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| Estações Tubo e Ônibus Articulados em Curitiba/PR |
Em Natal paga-se R$2,20 e o único "benefício" que temos é uma integração temporal de 50 minutos que pode ser realizada apenas entre os ônibus que não saiam do mesmo terminal (informação que boa parte dos usuários desconhece). Hoje, com o trânsito caótico que a capital do RN enfrenta, para se deslocar entre a maioria dos pontos da cidade leva-se, pelo menos, 1h30 (inclusive de carro) e não precisa estar em horário de pico para isso.
Na capital do Paraná há muitas faixas exclusivas para ônibus e boa parte da frota é de veículos articulados, que possuem dois ou até mesmo três vagões para transporte de passageiros. Esses ônibus possuem um letreiro interno com áudio que informa qual a próxima estação, por quais portas será realizado o desembarque e com quais ônibus você poderá fazer integração naquele ponto.
Em Natal só existe um trecho com faixa exclusiva para ônibus (a Av. Bernardo Vieira), porém ela não possui integração com nenhuma outra via expressa, causando gargalos críticos no seu início e fim (imagine três faixas se transformando em duas, sendo que os ônibus tem que passar da faixa da esquerda para a direita e os veículos baixos o contrário, tudo isso ao mesmo tempo. Não tinha como dar certo, né?).
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| Av. Bernardo Vieira: a única via "expressa" para ônibus em Natal |
O que falta é vontade política para levar a licitação do transporte público de Natal adiante, licitação esta que se arrasta desde 2009 sem previsão de acontecer, emperrada por um "estudo" que parece não ter fim. Enquanto isso quem sofre é a população que depende dos ônibus para se deslocar na cidade, enfrentando a superlotação, insegurança, atrasos e engarrafamentos diariamente. Já virou clichê, mas diante de toda essa situação me pergunto: é essa cidade que vai sediar a Copa?




3 comentários:
É difícil visitar Curitiba e não se encantar pelo transporte público da cidade, que em nada fica a dever às grandes capitais européias. Mapas da cidade nas paradas de ônibus, as quais de fato protegem seus usuários do sol e da chuva, ônibus de excelente qualidade, avisando qual é o próximo ponto e quais ônibus se podem pegar a partir dele. Talvez os curitibanos nem atentem pra isso, mas pro turista essa característica faz toda a diferença e fornece uma ajuda absurda pra quem nunca esteve na cidade antes. Tudo muito bonito e organizado. O turista europeu que visita Curitiba se sente em casa; ao contrário, se esse mesmo turista visitar Natal é quase impossível que ele não pense algo parecido com "como será que esse pessoal daqui consegue se orientar?".
No entanto, achei que o texto começou meio exagerado, ao referir que a maioria dos pontos de ônibus em Natal se constituem de um poste e uma placa. Um número grande de pontos tem pelo menos um abrigo, claro que nada no molde curitibano, mas alguma coisa tem. Na nossa vizinha João Pessoa, a situação é bem mais precária. Visitei a cidade recentemente e, na ocasião, estive num ponto de ônibus que tinha bancos, mas preferi esperar de pé. Uma das pessoas que estava no local me disse "você não vai sentar? É uma tão raro achar um ponto de ônibus com um banco!", como se fosse inconcebível eu ficar de pé naquela situação. De fato, na volta tive mesmo que esperar numa parada que desta vez sim, era composta por poste e placa, o que me fez pensar que a situação de Natal, mesmo ruim, ainda estava ligeiramente melhor.
Voltando ao início, é difícil não se revoltar ao visitar uma cidade "em que tudo funciona" como Curitiba, mas fazer críticas inflamadas e emocionais sem propor alternativas gera revoltosos desnecessários. Por que Curitiba é desta forma? Quais as diferenças na gestão? E a renda que cada cidade dispõe? É a mesma?Enfim, excelente texto.
É, exatamente, desse jeito jeito! Vivemos de melhorias que rastejam (e sob pressão). O pior é que os administradores não aproveitam o espaço que ainda tem para organizar o trânsito.
Olá, "Anônimo", adorei seu comentário, uma pena você não ter se identificado. Enfim, os abrigos/paradas que nossa cidade tem estão localizados mais no Centro da cidade ou bairros mais movimentados (e mesmo assim de forma bem precária, muitos deles sem coberturas ou assentos suficientes). Nos bairros mais afastados o que observamos mais frequentemente é essa situação que abordei no início do texto, apenas um poste. Vale salientar que a foto do início do post foi tirada por mim, esta semana, na Av. Prudente de Morais (uma das principais vias da cidade), onde é possível observar várias dessas "paradas". Mas quero esclarecer, também, que essa situação serviu apenas de mote para abordar a situação crítica do Transporte Público da nossa cidade. Após visitar Curitiba realmente é inevitável não refletir sobre esta temática, sobretudo para quem utiliza esse serviço todos os dias para ir ao trabalho e/ou estudar. Ficamos no aguardo de "dias melhores" e que o Transporte seja pensado para as pessoas e não para os empresários, como acontece hoje na capital potiguar.
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