
"Que venha a Copa de 2014! Natal é sede! A Festa em Ponta Negra foi animada... O povo, como sempre, se entregou à diversão, principalmente quando é-se gratuita. Ao pôr-do-sol e após acordar, a população questiona: o que ganhamos? Já que a boca pequena, a cidade é parabenizada e os políticos dizem que ganhamos muito. A saúde brasileira é municipalizada. No Gramoré, construiu-se um ginásio que custou 33 milhões de reais e está fechado. Quando construíram o Machadinho, o povo ganhou. Será destruído, não servia ao povo?
Gastaremos 300 milhões para a construção da arena e de todas as instalações para a Copa. Possivelmente, são três jogos, a que o povo – na acepção do termo –, não terá acesso, pois ingressos da Copa custarão, segundo previsões, mais de mil dólares e, possivelmente, não farão parte do projeto “Cidadão Nota Dez”. Como o povo – digo o povo –, terá acesso? Os espectadores dos jogos comerão pipocas frias vendidas pelos ambulantes do velho Machadão? O que faremos com os ambulantes que vendem as falsas camisas das duas grandes torcidas do Estado?
O povo ganhou. O Estado, a cidade pararão para a festa, mas não pararam para questionar se há estrutura para isso. Se houver um acidente: corredores do Walfredo Gurgel. Ainda não ganhamos o hospital. Não temos sequer condições de reabrir a maternidade da Zona Norte para nossas mães “ganharem os bebês”, que, se vivos, engrossarão as filas para, se não virem os jogos, pelo menos pastorar os carros, limpar os para-brisas de tantos que trafegarão, se as vias suportarem, a Salgado Filho.
Ganhamos a Copa! Não o hospital. A arena, não o replanejamento das vias públicas. A oportunidade de mercado turístico, não a recuperação das nossas escolas. Agora me perturba a pergunta: ganhamos a Copa; por que não a obediência ao plano diretor de Natal, que ora a prefeita – que ironia – agora escrachada, do Partido Verde, não quer respeitar? Quais interesses ela representa? Os do povo – de quem é mãe? Ou dos empresários loteadores de Natal?"
Gastaremos 300 milhões para a construção da arena e de todas as instalações para a Copa. Possivelmente, são três jogos, a que o povo – na acepção do termo –, não terá acesso, pois ingressos da Copa custarão, segundo previsões, mais de mil dólares e, possivelmente, não farão parte do projeto “Cidadão Nota Dez”. Como o povo – digo o povo –, terá acesso? Os espectadores dos jogos comerão pipocas frias vendidas pelos ambulantes do velho Machadão? O que faremos com os ambulantes que vendem as falsas camisas das duas grandes torcidas do Estado?
O povo ganhou. O Estado, a cidade pararão para a festa, mas não pararam para questionar se há estrutura para isso. Se houver um acidente: corredores do Walfredo Gurgel. Ainda não ganhamos o hospital. Não temos sequer condições de reabrir a maternidade da Zona Norte para nossas mães “ganharem os bebês”, que, se vivos, engrossarão as filas para, se não virem os jogos, pelo menos pastorar os carros, limpar os para-brisas de tantos que trafegarão, se as vias suportarem, a Salgado Filho.
Ganhamos a Copa! Não o hospital. A arena, não o replanejamento das vias públicas. A oportunidade de mercado turístico, não a recuperação das nossas escolas. Agora me perturba a pergunta: ganhamos a Copa; por que não a obediência ao plano diretor de Natal, que ora a prefeita – que ironia – agora escrachada, do Partido Verde, não quer respeitar? Quais interesses ela representa? Os do povo – de quem é mãe? Ou dos empresários loteadores de Natal?"
Autor: Professor Edson Carlos
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Logo quando Natal foi escolhida como uma das cidades-sedes da Copa, meu professor de Redação, Edson Carlos, escreveu o texto acima. Achei interessante postá-lo aqui no Blog, pois nos faz refletir sobre algumas questões que, às vezes, passam despercebidas ao nosso olhar. Ganhamos realmente com a Copa?
